Dormir vai muito além de relaxar o corpo.  É uma necessidade fisiológica para o funcionamento adequado de todos os órgãos e sistemas. 

Você lembra o que acontece após uma noite mal dormida? Provavelmente, além da disposição reduzida, você apresente menor capacidade de atenção em suas atividades, irritabilidade e até mais fome. Afinal, a restrição do sono pode aumentar a necessidade do organismo por insulina em até 30% de um dia para o outro. 

A quantidade necessária de horas de sono varia conforme a idade. No entanto, tão importante quanto a quantidade é a qualidade das horas dormidas. Por isso, se perceber sintomas frequentes como sonolência excessiva, cefaléia matinal (dor de cabeça), fadiga física e mental, dificuldade de concentração, déficit de memória, irritabilidade, entre outros, fique atento: Você pode estar sofrendo com distúrbios do sono

As doenças do sono variam de condições comuns e passageiras até casos complexos de apneia obstrutiva do sono com repercussão metabólica e cardiovascular. E podem afetar pessoas de todas as idades, de bebês a idosos.

Aliás, existem evidências científicas importantes documentando a relação entre os transtornos do sono e doenças metabólicas como a obesidade e alterações no crescimento; problemas cardiovasculares como hipertensão arterial e arritmia cardíaca, entre outras; doenças neurológicas como déficit de atenção e AVC. Além de doenças gastrointestinais como refluxo gastroesofágico e  alterações psiquiátricas como depressão e ansiedade, entre outras.

Conheça alguns distúrbios do sono mais comuns:

Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS)

A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada por paradas respiratórias (apneia) ou pela diminuição de 30% a 50% do fluxo respiratório (hipopnéia) durante a noite. Os tecidos da faringe e da língua relaxam e acabam bloqueando  total ou parcialmente as vias aéreas, limitando a quantidade de ar que chega aos pulmões.

A periodicidade de vezes com que isso acontece varia de acordo com a complexidade do caso, e pode ir de alguns eventos durante a noite até centenas deles.  Esses múltiplos despertares, embora curtos, interrompem e segmentam o ciclo do sono reparador. 

Uma doença crônica, progressiva e com alta morbimortalidade, e que se encontra, muitas vezes, subdiagnosticada. E vale lembrar também que, embora ronco e SAOS sejam condições diferentes, elas estão frequentemente associadas. 35% das pessoas que apresentam ronco habitual costumam sofrer com apneia.

O ronco acontece porque o estreitamento das vias aéreas provocado pelo relaxamento dos músculos do pescoço provoca uma vibração na garganta que gera o ruído tão característico. Mas, por si só, o ronco é mais incômodo para quem ouve e não afeta a saúde da pessoa de quem ronca. Diferente do que acontece com quem sobre com SAOS, que está relacionada inclusive com o aumento da incidência de hipertensão e AVC. 

E o diagnóstico se dá a partir de exames como a polissonografia, entre outros solicitados pelo profissional durante a consulta. 

Insônia

Insônia é a dificuldade para começar ou manter o sono durante a noite e pode ser considerada o distúrbio do sono mais comum, pelo qual qualquer pessoa pode passar ao longo da vida. 

Motivada por causas orgânicas ou psíquicas que vão desde o estresse, preocupações, hábitos deletérios que prejudicam o sono,  uso de medicamentos, dores, doenças respiratórias… a insônia pode ser transitória, ou se tornar crônica e exigir atenção profissional. 

No entanto, alguns hábitos conhecidos como higiene do sono, podem contribuir para um descanso reparador. 

Alguns cuidados importantes:

Celulares, tablets, computadores, luzes de leitura muito fortes… influenciam a produção de melatonina e podem interferir na qualidade do sono. Então, procure restringir a exposição a eles pelo menos 30min antes de ir para cama.

Escolha atividades relaxantes como ler, ouvir uma música tranquila ou meditar um pouco antes de ir para a cama. Além disso, verifique se o colchão está adequado, crie um ambiente confortável, silencioso e escuro para repousar.

Se você não conseguir dormir depois de 30min deitado, não lute contra o seu corpo. Isso pode piorar a situação. Levante-se, tente ocupar-se com uma tarefa relaxante e quando sentir-se suficientemente cansado, volte para a cama.

Prefira alimentos leves e evite cafeína, chocolate ou substâncias estimulantes até 5 horas antes de ir para a cama. Chás de ervas como camomila, erva-doce ou erva cidreira podem ajudar.

Procure dormir e acordar sempre no mesmo horário, mesmo nos finais de semana. Além disso, sempre que possível, evite cochilos durante o dia.

E o mais importante, em casos de episódios recorrentes, procure ajuda profissional. A privação do sono reparador por longos períodos pode influenciar de forma importante a saúde e a qualidade de vida.

Terror noturno, enurese, sonambulismo e outras parassonias.

Parassonias são sensações desagradáveis ou eventos físicos que acontecem no início do sono, durante o sono ou  no momento de despertar.  Pode acontecer na fase do sono REM, NREM ou nas transições dos ciclos do sono. 

Comuns na infância, as parassonias tendem a desaparecer na adolescência e, na maior parte dos casos, estão associados à predisposição genética.

Elas acontecem devido a falhas na transição dos ciclos do sono, quando dois estágios ocorrem ao mesmo tempo, criando o que chamamos de estágio de dissociação. Nessa fase, os elementos de sono e vigília aparecem mesclados.

Parassonias do Sono NREM:

Terror noturno

Acontece em geral nas crianças acima de 4 anos e se caracteriza por um despertar súbito, com gritos, choro, taquicardia, sudorese...Os episódios, em geral, duram de 3 a 5 minutos e as tentativas de acordar a criança podem não ser bem sucedidas, além de prolongar a duração do episódio.

Despertar confusional

É comum em crianças de 3 a 13 anos de idade, diminuindo a incidência depois dos 5 anos. Caracterizado por um despertar parcial, onde a criança senta na cama e fica olhando o ambiente de forma confusa. Pode apresentar também choro inconsolável, sudorese ou comportamento agressivo.

Sonambulismo

Mais predominante entre crianças em idade escolar, tende a desaparecer com o desenvolvimento. É caracterizado pelo despertar parcial do sono NREM marcado por comportamentos automáticos. A criança pode sentar na cama, levantar, caminhar… e ela pode tanto despertar durante o episódio quanto voltar para a cama e continuar a dormir.

Enurese Noturna

É uma das parassonias mais comuns em pacientes maiores que 5 anos. A eliminação da urina é involuntária e para caracterizar uma enurese, o episódio deve acontecer pelo menos em duas noites na semana. No entanto, não são raros os casos em que isso acontece todas as noites e, às vezes, mais de uma vez por noite. 

Pode ser dividida em enurese primária, quando a criança nunca desenvolveu controle sobre a diurese enquanto dorme. Ou secundária, que são casos em que a criança já teve esse controle por pelo menos 6 meses. 

Doenças como diabetes, infecção urinária e epilepsia podem provocar a elevação desses episódios e devem sempre ser descartadas.

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Conheça o Dr.

José Luís Maida Júnior

  • Título de Especialista em Neurologia e Neurocirurgia pelo Mec e CRM;
  • Membro Titular da Academia Brasileira de Neurocirurgia;
  • Curso de Neurocirurgia de Base de Crânio em Hannover;
  • Mestrando de Neurocirurgia, UNIFESP;
  • Título de Especialista em Neurocirurgia pela SBN;
  • Pós-Graduação em Neurocirurgia Pediátrica pela FLANC;
  • Título de Especialista em Medicina do Sono pela ABSono;
  • “Fellowship” em Medicina do Sono em Anderson, South Carolina, EUA;
  • Título de Especialista em Cefaleia pela Sociedade Internacional de Cefaleia;
  • Título de Especialista em Medicina do Sono pela WASM;
  • Membro da Academia Americana de Cefaleia.
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